segunda-feira, 29 de abril de 2013

Review: A Mão do Diabo


A Mão do Diabo
A Mão do Diabo by José Rodrigues dos Santos

My rating: 2 of 5 stars



Ok, não é fácil criticar um livro assim. Tenho lido grande parte dos livros de [a:José Rodrigues dos Santos|562271|José Rodrigues dos Santos|http://d.gr-assets.com/authors/1219282309p2/562271.jpg] e, regra geral, até são de agradável leitura. São bons meios para obter informação sobre determinado tema com uma ficção romantizada a embelezar a coisa, tornando-a mais digerível. Este vai pelo mesmo caminho.

Enquanto repositório de informação relacionada com a crise actual, os seus antecedentes e causas, é um livro interessantíssimo que recomendaria a todos. Vale a pena ler, preto no branco, aquilo que muitos suspeitam ou congeminam, em parte, mas que em poucos lados se vê explicado com tanta clareza. Diria até que deveria ser de leitura quase obrigatória, até pelas lições de democracia que encerra.

Infelizmente, as partes boas acabam aí. A informação é boa, mas vai sendo passada da velha forma:
- Como?
- bla bla bla bla (3 parágrafos de explicação)
- Ai é? Mas e então?
- bla bla bla bla bla (mais 3 parágrafos)
- Interessante...
- bla bla bla bla bla bla bla, até porque isto vem de bla bla bla bla bla... outros tantos parágrafos.

A componente de ficção do livro é sofrível. Tomás Noronha continua o D. Juan conquistador dos outros livros, mas passou também a ser uma espécie de MacGyver, capaz de ludibriar agentes especiais bem treinados - e, aparentemente, todos poliglotas. A evolução do "romance" entre Noronha e a personagem feminina da Interpol é risível, de tão básica. O que me fez pousar o livro de imediato foi o (perdoem-me o mini-spoiler) caso do portátil. Com que então, com um portátil ligado a uma rede Wifi pública, o Noronha consulta o seu email. E não é que, poucas horas depois, a partir do IP (hmmm, rede pública de wifi, IP daquele computador específico...) os maus da fita inferem que o portátil foi adquirido na loja X em Barcelona às 4 da tarde?! Então mas, mas, mas.... Pousei-o. E o livro levou semelhante machadada que só a custo o acabei.

Pior mesmo, só o conteúdo do DVD que, a dada altura, parece servir só para regurgitar mais umas páginas de dados sobre o sistema político português e o seu aroma a corrupção sem estar preocupado em meter aquilo de forma coerente ou construtiva para a história. ora uma escuta entre o Primeiro-Minsitro "Gonçalo" e um seu ministro, ora entre um ministro e um representante da UE.... desconexos e, a dada altura, só para juntar um "e mais isto! e isto! e isto!!".

E é isto. Interessante enquanto compêndio sobre a crise, mas com um enredo de ficção abaixo do nível de algumas histórias do Rato Mickey ou do Peninha, atropelando tudo e todos quando se passa de um IP para uma factura de aquisição de um portátil assim enquanto se toma café.

Ah, e colorofórmio? À venda em qualquer loja Italiana! Sempre fácil de arranjar!

2 estrelas... é pena.



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sábado, 6 de abril de 2013

Review: Os Dragões do Assassino


Os Dragões do Assassino
Os Dragões do Assassino by Robin Hobb

My rating: 5 of 5 stars



Em muitos dos livros o mal comum parece ser o fim apressado. Muitas pontas por atar mantêm o enredo interessante, mas chega ali à conclusão e eis que surge a pressa de tentar fechar a porta dando o máximo de nós nas pontas soltas possível, ou deixando algumas por atar.

Robin Hobb não foi em cantigas. A saga de FitzCavalaria Visionário termina aqui. Com duas palavras e um ponto final, termina a saga. E estas surgem no final de um livro em que muito se resolve, não sem complicações aqui e ali, mas ao seu ritmo, sem pressas nem trapalhices, mas também sem mastigar e entrar em mastiganços desnecessários. Robin Hobb fê-lo e fê-lo com mestria. Um portentoso fim onde pouco ficou por contar para uma série que é de leitura obrigatória para os amantes do género.

A escrita na primeira pessoa, intimista, comummente depressiva, maculada, com os pensamentos nem sempre coerentes ou constantes guia-nos ao longo destes livros, divididos em duas séries, pela Saída de Emergência, e contam uma história apaixonante.

A não perder!



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